De janeiro a agosto deste ano, Mato Grosso do Sul exportou US$ 456 milhões a mais do que no mesmo período do ano passado, ou R$ 2,444 bilhões quando convertido para o real, considerando o dólar a R$ 5,36.

Nos oito primeiros meses de 2019, foram US$ 3,617 bilhões em vendas ao exterior; neste ano, no mesmo período, foram US$ 4,073 bilhões negociados.

O aumento de 14,68% na receita com as vendas externas foi puxado principalmente pelo envio de soja, carnes bovina e de aves, celulose e açúcar ao exterior.

Os dados são da Carta da Conjuntura elaborada pela Secretaria do Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro).

De acordo com o titular da Semagro, Jaime Verruck, o principal ponto é a taxa de câmbio, que é em média 40% superior ao ano passado.

“Significa receitas para os produtores e preços mais elevados para esses produtos em função da demanda internacional. A soja teve um crescimento de 61% [no volume] em relação ao ano passado, que é um fator extremamente positivo”, explicou Verruck.

“E quando comparamos em relação ao valor, o crescimento foi de 55% no total. Não tem muito mais soja a ser enviada ao exterior, foram praticamente 3,915 milhões de toneladas exportadas em Mato Grosso do Sul, ou seja, 35% da produção”, completou.

A soja respondeu por 36,59% da pauta de exportações do Estado de janeiro a agosto, ou US$ 1,49 bilhão em negócios.

A celulose vem na sequência, representando 28% da pauta, com US$ 1,14 bilhão em vendas, com aumento de 7,66% em termos de volume, e queda de 17,49% em termos de valor.

Em terceiro temos as carnes bovinas, com US$ 500 milhões em negócios e participação de 12,28% da pauta.

“As carnes bovinas estão praticamente estabilizadas, a gente teve a perda de alguns credenciamentos durante a pandemia, mas isso deve retornar, e também a própria falta de bovinos para abates”, disse.

“A situação está estável, mas com perspectivas de crescimento. Assim como nas carnes de aves, estamos 18% acima do ano passado. E a carne de suínos atendendo mais o mercado interno, mas com alguns mercados como de Hong Kong já aparecendo”.

Superavit

O saldo da balança comercial, que considera exportações menos importações, também registrou números melhores neste ano.

Em 2020, de janeiro a agosto, o valor das exportações chegou a US$ 4,073 bilhões, e das importações, US$ 1,256 bilhão, resultando em um superavit US$ 2,816 bilhões.

O valor é 32,14% superior ao verificado de janeiro a agosto de 2019.

No ano passado, as exportações geraram receitas de US$ 3,555 bilhões e US$ 1,485 bilhão em importações, superavit de US$ 2,070 bilhões.

De janeiro a dezembro de 2019, o Estado somou U$S 5,217 bilhões em vendas ao exterior; neste ano, até agosto, foram US$ 4,073 bilhões, ou seja, 78,07% do total de todo o ano passado.

Segundo o especialista em Comércio Exterior, Aldo Barrigosse, apesar de termos tido uma redução na demanda mundial por celulose, que poderia pesar no desempenho de MS, a valorização da soja, da carne e de outros produtos, como o açúcar, acabou mantendo essa ampliação nas vendas.

“Atualmente, mais de 50% da soja tem como destino a China. Com o dólar se valorizando 40% no ano, os preços, que já eram bons, favoreceram ainda mais as nossas vendas. A expectativa é manter o ritmo forte nas vendas até o fim do ano, com os principais produtos da pauta soja, carnes, farelo de soja e até mesmo uma retomada do ritmo da celulose”, disse Barrigosse.

O Brasil é líder em vendas de alimentos para o mundo. E Mato Grosso do Sul é um grande fornecedor. Há todo um investimento no campo para garantir a qualidade dos nossos produtos. A cada ano a produção [na agricultura e pecuária] está melhor”.

Destaque

O destaque fica por conta das exportações do açúcar, que cresceram em relação ao ano passado.

Entre os meses de janeiro e agosto de 2020, Mato Grosso do Sul exportou 502 mil toneladas de açúcar bruto; em 2019, no mesmo período, foram comercializadas 133 mil toneladas.

“Muitas usinas aumentaram sua produção de açúcar, elas têm como realocar a produção de etanol para açúcar”, ressaltou o secretário.

Para o especialista em Comércio Exterior, é importante destacar que temos uma produção excedente e de qualidade para aproveitar esse momento de pandemia e a falta de oferta de muitos produtos.

“O mercado de açúcar, por exemplo, está muito aquecido, o preço mundial cresceu e nós temos produção para aproveitar”, frisou Barrigosse.

Conforme a Semagro, no período de oito meses, a receita com as exportações foi de US$ 38 milhões para US$ 130 milhões – um salto de 236%.

Nos 12 meses de todo o ano passado, foram exportadas 238 mil toneladas de açúcar, o que resultou em uma receita de U$ 67 milhões.

“Esse movimento de alta nas exportações de açúcar é reflexo de três fatores: a pandemia da Covid-19, que reduziu o consumo de etanol em virtude do isolamento social, a valorização do dólar e a demanda externa, porque outros países tiveram quebras na sua produção”, analisa o consultor técnico do Sistema Famasul, Clóvis Tolentino.

“E, com o baixo consumo de etanol no primeiro semestre, as indústrias focaram na produção de açúcar”.

Em relação aos produtos importados, o Estado continuou com uma pauta concentrada na importação de gás boliviano, representando 56,65% da pauta de importações em 2020.

Fonte: Correio do Estado