Alunos das redes estadual e campo-grandense de ensino poderão ter acesso a recuperações paralelas em 2021 para contornar as lacunas de aprendizagem deixadas pelo ensino remoto. Especialistas em educação concordam que o ano já se considera perdido para educação e que mesmo com todos os esforços de todas as partes envolvidas, a absorção de conteúdo é prejudicada.

Nenhuma das respectivas secretarias já bateu o martelo a respeito das medidas, mas ambas confirmaram que elas estão em fase de organização e dependem de alguns fatores para saírem do papel.

MUNICÍPIO

Na Capital, a assessoria de imprensa da Semed disse, por meio de nota, que foi criada uma comissão de retorno às aulas para definir estratégias focando aspectos cognitivos, sócio emocionais, normativos e de biossegurança.

A pasta disse que está organizando as recuperações, que, a princípio, seriam realizadas no contraturno ano que vem, mas o tema ainda é estudado e será definido em momento oportuno.

Por enquanto, para o ano letivo de 2020, as atividades continuam oferecidas na modalidade remota. As escolas estão montando e enviando atividades pelo Google Classroom e professores auxiliam os alunos e tiram dúvidas em grupos de WhatsApp. Além disso, há a TV Reme (canal 4.2 da TVE, e no Youtube).

Dos 108.805 alunos da rede, 108.013 (99,27%) estão sendo atendidos remotamente, conforme pesquisa realizada entre os dias 10 e 14 de agosto, porém, há incertezas quanto a absorção dos conteúdos necessários para que os estudantes evoluam nas séries seguintes.

A nota da Semed não esclarece se haverá algum tipo de diagnóstico para medir a intensidade do impacto da pandemia no ensino.

ESTADO

A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação havia adiantado que o órgão planejava medir o impacto da pandemia no conhecimento e definir estratégias para recuperar essas perdas.

Em nota encaminhada nesta segunda-feira (31), o órgão reafirmou que o total de dias letivos, bem como de carga horária, é definido pela Lei de Diretrizes Básicas da Educação (LDB), que estabelece o mínimo de 200 dias e de 800 horas dentro do ano letivo.

Conforme o planejamento, pode ocorrer uma carga horária ampliada para a execução de atividades para os estudantes que necessitarem de um acompanhamento para recuperação paralela. Contudo, não vai se aplicar a todos, mas para aqueles que tiverem essa necessidade detectada após avaliação, que será realizada por toda a Rede Estadual em duas etapas: a primeira delas virtualmente e, quando houver o retorno das atividades presenciais, com grupos de estudantes.

A SED salienta que não se trata de uma prova, mas sim de uma avaliação diagnóstica tendo em vista todas as atividades realizadas neste período de aulas não presenciais.

Já para a recuperação, o Estado conta com várias estratégias já definidas. Os estudantes poderão realizar as atividades pela internet (com o uso das ferramentas atuais, como Google Classroom e Microsoft Teams), com atividades impressas (entregues pelas escolas) ou estarão presentes nas unidades escolares para atividades no contra turno, sempre de acordo com o planejamento de biossegurança a fim de evitar aglomerações no espaço da escola.

Como parte do planejamento, também está previsto o resgate de algumas habilidades e competências durante a realização das atividades no próximo ano, com o objetivo de reforçar pontos mais sensíveis.

OPINIÃO

A doutora em educação Ângela Maria Costa disse ao Correio do Estado que a carga horária pode ser recuperada ano que vem com aulas paralelas. Na visão dela, porém, esse resgate deveria começar imediatamente mediante uma avaliação simples de conteúdo série para ver quais alunos não conseguiram aprender nada e tentar fazer alguma coisa até o fim de 2020, mesmo que à distância, mas de maneira focada.

Ela acrescenta que já foi comprovado que existe uma evasão grande que vai desaguar em 2021. “O aluno que não tem a mínima condição de internet e celular, mesmo tendo smartphone é difícil acompanhar essa aula remota”.

Fonte: Correio do Estado