O presidente Jair Bolsonaro almoçou na última sexta-feira (16) com a médica Nise Yamaguchi, defensora do uso da cloroquina em pacientes contaminados pelo coronavírus. Reportagem apurou, no entanto, que o diálogo com Nise Yamaguchi não correspondeu à expectativa do Planalto e, com isso, a indicação dela para a vaga de Teich perdeu força. Outros nomes citados são os do deputado Osmar Terra (MDB-RS), ex-ministro da Cidadania, e do almirante Luiz Froes, diretor de Saúde da Marinha.

Yamaguchi disse que existe um estudo do New England Journal of Medicine que mostraria que a toxicidade da hidroxicloroquina é baixa. Mas, a mesma publicação divulgou que o uso da cloroquina é ineficaz no tratamento da Covid-19.

Ela também defendeu o afrouxamento das regras de isolamento social. “Praias vazias, sendo que se pode ser distanciamento de 2 metros, parques. Aumentou suicídio, violência doméstica, depressão. Uma pessoa sozinha jamais conseguiria resolver. Não é só cloroquina, é muito mais que isso”, defendeu.

Na quinta (15) à tarde, em um breve pronunciamento, Teich preferiu não polemizar com o presidente, embora também discordasse dele sobre outros temas. O médico sempre defendeu o isolamento social para evitar a disseminação da doença, enquanto Bolsonaro quer afrouxar a quarentena.

“A vida é feita de escolhas e eu hoje escolhi sair”, disse Teich. Em sua curta passagem pelo ministério, o médico foi várias vezes desautorizado por Bolsonaro. Na última segunda-feira, por exemplo, ele se mostrou surpreso ao saber de um decreto incluindo salões de beleza, academias e barbearias na lista de atividades essenciais que deveriam reabrir. “É fogo, hein?”, lamentou Teich.

Em guerra com governadores e com o Supremo, Bolsonaro procura agora um ministro da Saúde com perfil conciliador, que possa ajudar o governo a vencer a batalha da comunicação, vista como perdida até aqui. Alçado à condição de ministro interino, o general Eduardo Pazuello terá a missão de assinar o novo protocolo da pasta, liberando o uso da cloroquina.

Mandetta:

“A única coisa que sei é que foi um mês perdido, jogado na lata do lixo”, afirmou o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta.

Pouco tempo

Ao se demitir na sexta (16), Nelson Teich se tornou o ministro que menos tempo ficou no comando da Saúde desde a redemocratização. Foram 29 dias. Ele comandou o ministério por menos dias até que um interino: José Carlos Seixas (35 dias, em 1996). Entre os ministros efetivos, o segundo na lista de permanências mais curta é Marcelo Castro (205 dias, entre 2015 e 2016). Outros três interinos lideraram o ministério por menos tempo: Saulo Pinto Moreira (10 dias, em 1993); José Agenor Álvares da Silva (15 dias, em 2016); e José Goldemberg (19 dias, em 1992).

Fonte: Correio do Estado