Os construtores de imóveis de Mato Grosso do Sul  se dividem entre os que acreditam em um cenário melhor e aqueles que esperam medidas do Governo Federal para retomar o crescimento no setor. Para a  Associação dos Construtores de Mato Grosso do Sul (Acomasul),  a expectativa é que em 2020 os pequenos construtores voltem a crescer. Já o Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção de Mato Grosso do Sul (Sinduscon-MS) espera um ano díficil e parecido com 2019.

Segundo o presidente da associação, Adão Castilho, os empresários já começaram a investir no segundo semestre de 2019, por conta das mudanças nos financiamentos anunciados pela Caixa este ano. “Tanto os financiamentos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), quanto a possibilidade de contratos dentro da nova linha de crédito imobiliário com custo indexado ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e ainda a Selic reduzida a 5,5%, levaram os empresários a começarem a investir novamente visando o próximo ano. Assim o mercado começa a ter mais confiança e os consumidores também”.

Castilho diz ainda que desde o ano passado os empresários enfrentaram queda nas vendas, principalmente com a portaria 570, que exige pavimentação definitiva para construções de imóveis financiados pelo programa Minha Casa, Minha vida. “Esse ano ainda tivemos muitos problemas, principalmente com as casas construídas em ruas sem asfalto, porque geralmente o valor desses imóveis entram no Minha Casa, Minha Vida”, conclui.

O presidente do Sinduscon-MS, Amarildo Melo, aponta que a instabilidade do Governo tem atrasado a retomada do setor. “Falta previsibilidade, não sabemos como as coisas estarão até o ano que vem. Mas, se continuarem assim teremos um ano mais ou menos parecido com o que foi 2019. Não será um ano bom. Neste ano o Governo vai liberar R$ 5 bilhões para o Minha Casa, Minha Vida, a previsão é que no ano que vem sejam liberados R$ 2,5 bi, não tem como melhorar para essa faixa da construção civil. Esperamos que haja alguma mudança”.

MUDANÇAS

O novo Minha Casa, Minha Vida deve ser lançado até dezembro, de acordo com o Governo Federal as obras em andamento não sofrem risco de paralisação. O programa em elaboração funcionará com um sistema de “voucher” em que as famílias receberão recursos para comprar, construir ou reformar. A população de baixa renda dos municípios com até 50 mil habitantes será o foco do Palácio do Planalto.

FINANCIAMENTOS

A Caixa Econômica Federal anunciou no começo de outubro a redução dos juros dos financiamentos imobiliários com recursos do SBPE. A medida já havia sido adotada por outras instituições financeiras anteriormente. Na Caixa, o juro mínimo cobrado no crédito imobiliário com recursos da poupança passará de 8,50% mais Taxa Referencial (TR) para 7,50% mais TR. A taxa máxima será de 9,5% mais a TR. O anúncio do banco público é uma reação à decisão dos dois maiores bancos privados do país. No Bradesco, a taxa mínima passou de 8,20% ao ano mais TR para 7,30% ao ano mais TR. Já o Itaú está oferecendo crédito imobiliário a partir de 7,45% ao ano mais TR ante juros de 8,1% a ano mais TR.

Em agosto o banco público lançou uma nova linha de financiamento habitacional corrigido pela inflação oficial medida IPCA, mais uma taxa fixa. A nova linha traz uma taxa de 4,95% do valor financiado mais correção do IPCA. A porcentagem pode chegar a 2,95% do valor financiado para quem tem as melhores relações com o banco adimplência, por exemplo). Os valores serão corrigidos mensalmente, prestação a prestação, conforme o IPCA mais recente.

 

FONTE: CORREIO DO ESTADO